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Terremoto em nossas vidas

10/04/2009

  

Palacio do Governo apòs terremoto em L'Aquila

Palacio do Governo apòs terremoto em L'Aquila

 

Esta semana, dia 05 de abril, o centro da Itália sofreu a ação de um terremoto. Um total de quase 300 vitimas fatais e mais um gigante saldo de feridos e desabrigados. Acompanhar o sofrimento das pessoas que sobreviveram e ao caos que viraram as cidades circunvizinhas à L’Aquila, não foi fácil. Os helicópteros sobrevoando as áreas atingidas, casas, prédios, igrejas e centros históricos no chão, pareciam mais cenas de filme.

 

Toda tragedia natural comove. Seja uma enchente como a que tivemos no sul do Brasil no final do ano passado ou seja um terremoto, como esse que aconteceu aqui na Itália essa semana. Esse tipo de acontecimento, repetidas vezes nos mostra o quanto nós homens, somos frágeis e suscetíveis.

 

Esta tragedia do dia 05 me fez recordar de uma cena que presenciei ao visitar um cemitério aqui em Milão, umas duas semanas atrás. Duas determinadas quadras do cemitério estavam sofrendo exumação em massa e funciona mais ou menos assim: A pessoa é enterrada e após 10 ou 20 anos (dependendo do contrato firmado com o cemitério) os restos mortais são retirados e depositados em pequenas urnas, uma especie de pequenas gavetas nas paredes . A Cena que presenciei continham duas maquinas escavadeiras, abrindo as trincheiras e revirando os caixões e três ou quatro responsáveis pela “limpa” atrás, catando o que sobrou apos a retirada dos ossos. Uma montanha de terra remexida, misturada com restos de caixão, sapatos, e roupas. Após observar uma retroescavadeira levantando terra do chão e roupas vindo penduradas nos garfos, fiquei em estado de choque e conseqüentemente em estado profundo de reflexão durante aproximadamente 3 dias. Tive a sensação que o terremoto agora se passava dentro de mim, demolindo e destruindo as estruturas de orgulho, ego e prepotencia que temos erguidos dentro de nòs. O velho jargão começou a martelar na minha cabeça, meu Deus… nós não somos nada! Não somos ninguém! Esse tipo de situação é intrigante, pois ela nos abre o olho e nos joga de cara no espelho, onde olhamos a imagem refletida e começamos a nos perguntar o que já fizemos nessa vida e o que ainda temos por fazer e todos aqueles pensamentos que afloram quando nos damos conta da brevidade da vida. O final, se vê que é igual para todos em qualquer lugar desse mundão e percebe-se mais e mais e mais uma vez, como essa nossa vida é passageira!

 

Sobre o terremoto aqui na Italia, como não se comover com a dor dos familiares que perderam alguem estimado, principalmente numa data especial como esta de Pascoa, onde se busca estar em reunião e convívio familiar. A única coisa que posso fazer é esperar sinceramente, que encontrem o conforto necessário e que saibam mesmo numa situação lastimável como esta, encontrar forças para continuarem a reconstruir suas vidas dia após dia.

 

Aqui em Milão? Bom, aqui em Milão a vida continua como se nada tivesse acontecido a 400 km daqui. Pessoas andando e correndo pra lá e pra cá, em busca de aplacar os terremotos particulares de cada dia. Enquanto uns choram, outros riem, outros rangem os dentes e outros gargalham. Assim a vida continua no seu ciclo perfeito, e aqui em Milão, as árvores se enchem de folhas e as flores se abrem dando as boas vindas para a estação mais linda do ano, a Primavera! Esperança de dias melhores.

 

Ci vediamo,

 

Jean Ponchiroli

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